segunda-feira, 30 de novembro de 2009

NOVOS MÉDICOS, UM NOVO PARADIGMA

Dr.Marco Aurélio abriu a mesa redonda e falou sobre a história da obstetrícia no Brasil e no mundo.
Os cinco médicos vão participar de um ciclo de palestras em 2.010

ESTÁ FUNDADO O NÚCLEO BEM NASCER

Com a mesa redonda Por que Bem Nascer? Perspectivas do Nascimento no Brasil atual, o Núcleo Bem Nascer se apresentou para a comunidade de Belo Horizonte. Foi na na última quinta feira, dia 27 de novembro, na sede do Instituto de Acupuntura Médica - IAAMG, na rua Carijós, 150 - 8º andar e contou com a presença de cerca de 30 pessoas, entre mamães com seus nenês, gestantes e profissionais de saúde.
A jornalista Cleise Soares, que é assessora de comunicação do grupo e presidente da ONG Bem Nascer, abriu a mesa redonda enfatizando a importância do evento: “ um acontecimento histórico dentro da obstetrícia mineira; cinco médicos reunidos em torno do mesmo propósito e da humanização do nascimento, com o objetivo de ser referência nas boas práticas do parto. Eu, que milito desde a década de 80, posso garantir que estamos vivenciando um momento histórico”.

Dr. Marco Aurélio Valadares iniciou a mesa redonda e enfocou a história da obstetrícia no mundo, dando a data de início de vários procedimentos como a cesariana, a episiotomia e o fórceps (a palestra será postada em forma de artigo no site do grupo). Mostrou porque as mulheres passaram a se deitar nos partos.

O obstetra relatou a caminhada pela humanização do nascimento no Brasil. Lembrou de Dr. Moysés Parcionick, que tinha uma casa de partos em Curitiba e Dr. Hugo Sabatino, pesquisador de partos verticais da Unicamp. Em Belo Horizonte, destacou a atuação de alguns obstetras como Dr. Paulo Tavares e José Eduardo Terra (Miúdo) que assistiam partos domiciliares na década de 80 e o Dr. Emerson de Godoi, que também já realizava partos de cócoras. Dr. Marco Aurélio referiu-se também ao Dr. José Júlio de Andrade Fonseca, “ que introduziu o parto Leboyer em Belo Horizonte".
Registrou algumas causas que transformaram a capital mineira: o Movimento BH pelo Parto Normal, que tem a frente a pediatra Dra. Sônia Lansky, da Secretaria Municipal de Saúde; o Hospital Sofia Feldman, com o Dr. Ivo de Oliveira e a ong Bem Nascer, fundada por ele e a jornalista Cleise Soares, em 2001 e que realiza rodas de conversa para gestantes nos parques da cidade.
“Michel Odent também fazia rodas de gestantes, elas são extremamente terapêuticas”.

Em seguida, falou Dr. Sandro Luiz Ribeiro, que trabalha na Maternidade Odete Valadares e Odilon Bherens, mostrando o avanço da cesariana nos últimos anos no Brasil e os índices alarmantes de cesarianas na rede privada. Informou que o Brasil passou de primeiro para segundo lugar no ranking de países mais cesaristas. “O Chile agora ocupa o primeiro lugar.’’ Ele, que é poeta, patrocinou um momento poético antes das palestras exibindo um vídeo com poesias relativas ao nascimento.

Dra. Paula Soares, obstetra e mastologista da PBH e que atende partos na Maternidade Risoleta Neves e Maternidade Santa Fé, falou do novo paradigma de atendimento ao nascimento. “Nesse novo modelo, a mulher é consultada sobre seus desejos: se ela quer parto deitada ou de cócoras, se quer ou não anestesia. O novo modelo de atendimento estimula práticas que favoreçam um parto saudável, física e emocionalmente.” Relatou sua experiência no Hospital Sofia Feldman - um verdadeiro divisor de águas na minha vida - onde compartilhou de um modelo multidisciplinar de atendimento. Disse para as gestantes presentes que não se fixassem sobre os casos negativos, que têm taxas muito pequenas e, sim,na grande maioria, que chega a um resultado favorável em seus partos.
Humanização do Nascimento, para onde vamos? Dr. Hemmerson Magioni respondeu a esta pergunta em sua palestra:
“Uma importante questão a ser esclarecida é que o termo "Parto humanizado" não pode ser entendido como um "tipo de parto", onde alguns detalhes externos o definem como tal, como o uso da água ou a posição, a intensidade da luz, a presença do acompanhante ou qualquer outra variável. A Humanização do parto é um processo e não um produto que nos é entregue pronto.
No entanto, o que deve ser discutido é "o atendimento centrado na mulher". Isso deveria ser o correto significado de “parto humanizado”. Se a mulher vai escolher dar à luz de cócoras ou na água, quanto tempo ela vai querer ficar com o bebê no colo após seu nascimento, quem vai estar em sua companhia, se ela vai querer se alimentar e beber líquidos, todas essas decisões deverão ser tomadas por ela, protagonista de seu próprio parto e dona de seu corpo. São as decisões informadas e baseadas em evidências científicas.”
Dra. Quésia Tâmara começou sua palestra perguntando a todos, " qual o momento mais especial da vida de uma pessoa?". Depois afirmou que, com certeza, é o momento do nascimento. “O parto é a materialização do milagre da vida. Por isto deve ser respeitado. É um momento sagrado, íntimo, individual, de cada mulher, de cada família.” Ela explicou que agora, com o Núcleo Bem Nascer, está mais tranquila. Tem o apoio de outros profissionais que pensam como ela. Informou que “o Núcleo Bem Nascer é formado por uma equipe de obstetras que trabalha respeitando a fisiologia deste momento, usando intervenções medicamentosas e cirúrgicas apenas quando se fazem necessárias!
Ela explicou que a palavra obstetrícia vem do latim e significa "ficar parado na frente, esperar. Fazer obstetrícia é antes de tudo saber aguardar, respeitando o momento do nascimento", finalizou.

O Núcleo Bem Nascer promoverá no próximo ano um ciclo de palestras, para que sejam aprofundados os temas abordados na mesa redonda. As datas serão divulgadas brevemente.
Quem quiser conhecer mais sobre os médicos do Núcleo Bem Nascer acessem o site www.nucleobemnascer.com.br

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