quinta-feira, 14 de junho de 2012

Caça às Bruxas....

É um absurdo esta perseguição nesta altura do campeonato. A Ditadura já acabou. Cada um tem direito de falar o que quiser. Os médicos se acham deuses e estão na contramão de todo um movimento internacional, nacional e local pelo direito das mulheres a um parto respeitoso, da sua escolha. Ela pode parir onde quiser, sentada, deitada, agachada; e ser assistida por profissional da escolha da mulher.
Vamos assinar a petição!

 CARTA ABERTA À SOCIEDADE

>
> Nós, médicos humanistas, enfermeiras-obstetras e obstetrizes, todos os
> profissionais, entidades civis, movimentos sociais e usuárias envolvidos
> com a Humanização da Assistência ao Parto e Nascimento no Brasil, vimos
> através desta presen te Carta manifestar o nosso repúdio à arbitrária
> decisão do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ) de
> encaminhar denúncia contra o médico e professor da Universidade Federal de
> São Paulo (UNIFESP) Jorge Kuhn, por ter se pronunciado favoravelmente em
> relação ao parto domiciliar em recente reportagem divulgada pelo Programa
> Fantástico, da TV Globo.
>
> Acreditamos estar vivenciando um momento em que nós todos, que atendemos
> partos dentro de um paradigma centrado na pessoa e com embasamento
> científico, estamos provocando a reação violenta dos setores mais
> conservadores da Medicina. Pior: uma parcela da corporação médica está
> mostrando sua face mais autoritária e violenta, ao atacar um dos direitos
> mais fundamentais do cidadão: o direito de livre expressão. Nem nos
> momentos mais sombrios da ditadura militar tivemos exemplos tão claros do
> cerceamento à liberdade como nesse episódio. Médicos (como no recente caso
> no Espírito Sant o) podem ir aos jornais bradar abertamente sua escolha
> pela cesariana, cirurgia da qual nos envergonhamos de ser os campeões
> mundiais e que comprovadamente produz malefícios para o binÃ?mio mãebebê em
> curto, médio e longo prazo. No entanto, não há nenhuma palavra de censura
> contra médicos que ESCOLHEM colocar suas pacientes em risco deliberado
> através de uma grande cirurgia desprovida de justificativas clínicas.
> Bastou, porém, que um médico de reconhecida qualidade profissional se
> manifestasse sobre um procedimento que a Medicina Baseada em Evidências
> COMPROVA ser seguro para que o lado mais sombrio da corporação médica se
> evidenciasse.
>
> Não é possível admitir o arbítrio e calar-se diante de tamanha ofensa ao
> direito individual. Não é admissível que uma corporação persiga
> profissionais por se manifestarem abertamente sobre um procedimento que é
> realizado no mundo inteiro e com resultados excelentes. A sociedade civil
> precisa reagir contra os interesses obscuros que motivam tais iniciativas..
> Calar a boca das mulheres, impedindo que elas escolham o lugar onde terão
> seus filhos é uma atitude inaceitável e fere os princípios básicos de
> autonomia.
>
> Neste momento em que o Brasil ultrapassa inaceitáveis 50% de cesarianas,
> sendo mais de 80% no setor privado, em que a violência institucional leva à
> agressão de mais de 25% das mulheres durante o parto, em vez de se
> posicionar veementemente contrários a essas taxas absurdas, conselhos e
> sociedades continuam fingindo que as ignoram, ou pior, as acobertam e
> defendem esse modelo violento e autoritário que resulta no chamado
> "Paradoxo Perinatal Brasileiro". O uso abusivo da tecnologia contrasta com
> taxas gritantemente elevadas de mortalidade materna e perinatal, isso em um
> País onde 98% dos partos são hospitalares!
>
> Escolher o local de parto é um DIREITO humano reprodutivo e sexual,
> defendido pelas grandes democracias do planeta. Agredir os médicos que se
> posicionam a favor da liberdade de escolha é violar os mais sagrados
> preceitos do estado de direito e da democracia. Ao invés de atacar e
> agredir, os conselhos de medicina deveriam estar ao lado dos profissionais
> que defendem essa liberdade, vez que é função da boa Medicina o estímulo a
> uma "saúde social", onde a democracia e a liberdade sejam os únicos padrões
> aceitáveis de bem estar.
>
> Não podemos nos omitir e nos tornar cúmplices dessa situação. É hora de
> rever conceitos, de reagir contra o cerceamento e a perseguição que vêm
> sofrendo os profissionais humanistas. Se o CREMERJ insiste em manter essa
> postura autoritária e persecutória, esperamos que pelo menos o Conselho
> Regional de Medicina de São Paulo (CREMESP) possa responder com dignidade,
> resgatando sua função maior, que é o compromisso com a saúde da população.
>
> Não admitimos, não permitiremos que o nosso colega Jorge Kuhn seja
> constrangido, ameaçado o u punido. Ao mesmo tempo em que redigimos esta
> Carta aberta, aproveitamos para encaminhar ao CREMERJ, ao CREMESP e ao
> Conselho Federal de Medicina (CFM) nossa Petição Pública em prol de um
> debate cientificamente fundamentado sobre o local do parto. Esse manifesto,
> assinado por milhares de pessoas, dentre os quais médicos e professores de
> renome nacional e internacional, deve ser levado ao conhecimento dos
> senhores Conselheiros e da sociedade. Todos têm o direito de conhecer quais
> evidências apoiariam as escolhas do parto domiciliar ou as afirmações de
> que esse é arriscado – se é que as há.
>
> http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=petparto
>
>

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