sexta-feira, 8 de abril de 2011

O QUE É DOR IATROGÊNICA?

(Na foto: a Camila com sua filha Diana, que teve seu filho de parto natural na casa de partos do Hospital Sofia Feldman)


O livro "PARTO NORMAL OU CESÁREA - O que toda mulher deve saber (e todo homem também)", de autoria de Simone Grilo Diniz e Ana Cristina Duarte, esclarece sobre a dor iatrogênica, que não é inerente ao parto natural, mas criada pela Medicina intervencionista dos dias de hoje. São as dores provocadas pela assistência ao parto. Acompanhe o artigo destas duas militantes, que tanto contribuiram para o esclarecimento sobre o parto cirúrgico e o parto natural.
" A dor resultante dos procedimentos (dor iatrogênica) é, muitas vezes, confundida com a dor do parto. A distinção entre um e outro tipo de dor é fundamental, se quisermos fazer o parto vaginal seguro e prazeroso, pois esses procedimentos devem ser evitados, na medida do possível. No século XXI, não há nenhuma justificativa científica para o uso de rotina de métodos dolorosos.

Até a década de 1990, acreditava-se que, para dar boa assistência ao parto, era necessário realizar várias intervenções, em todas as mulheres, e seus partos, para facilitar o processo, torná-lo mais normal : toques vaginais repetidos para avaliar a progressão do parto; aplicação de de soro com ocitocina para aumentar as contrações; em muitos casos, uso de fórceps no primeiro parto; episiotomia (corte e depois costura da vulva e vagina); determinação da postura deitada no leito etc. (Em alguns lugares, durante o período expulsivo, ainda se faz a manobra de Kristeller -pressão altamente dolorosa sobre o fundo uterino, feito pela enfermeira ou pelo anestesista. Este procedimento não deve ser realizado em nenhuma situação, pelos riscos que provoca).

Essas práticas podem ser extremamente dolorosas. Hoje em dia, acredita-se que apenas algumas são aceitáveis, e devem ser feitas apenas em uma minoria de mulheres de 5 a 15% quando há indicação médica. Além do sofrimento que provoca, são potencialmente arriscadas para a mãe e o bebê. Muitas vezes, um parto que teria a dor intensa, mas perfeitamente suportável, é transformado em um sofrimento físico excruciante por causa dos procedimentos. Isso leva a uma grande demanda por anestesia e, muitas vezes, a anestesia se justifica mais pela dor provocada pelos procedimentos que pelo parto em si (Langer&Villar, 2002)."

No meu primeiro parto, passei por todos esses procedimentos, raspagem de pelos, limpeza intestinal, episiotomia, anestesia, manobra de kristeller. E o que mais me incomodou foram os pontos da episio. Desde 1742, a grande maioria das mulheres brasileiras são cortadas. Em uma pesquisa realizada no Hospital Sofia Feldman, comprovou-se que apenas 40% dos períneos foram naturalmente rompidos. Então, perguntamos: por que mutilar todas as mulheres? Sabemos que a episio deixa sequelas, podendo levar à incontinência urinária. As evidências científicas comprovam que a episiotomia pode causar mais infecções. Converse com seu médico. Acreditamos que a mudança destes procedimentos deve vir da cobrança das mulheres, que devem lutar pela preservação do seu períneo, evitando assim aquelas operações da menopausa para reparação do estrago.


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