domingo, 24 de outubro de 2010

VAMOS PLANTAR AS SEMENTES!


Dei uma palestra na Jornada Integrada de Saúde do Núcleo de Biociências do Centro Universitário Metodista Isabela Hendrix, na última sexta feira, onde falei para um público formado pela maioria de alunos de Biomedicina. Encontrei uma platéia atenta e impactada. A impressão é que eu estava dizendo algo absolutamente novo para elas, como mulheres e como profissionais. Resumia ali - em uma hora - o pensamento desenvolvido há 30 trinta anos em torno da questão nascimento, no ponto de vista de uma mulher, mãe e militante da causa. Também, com muita honra, fundadora da ong Bem Nascer que hoje não é minha, mas de todas as mulheres.

Comecei falando sobre o parto de cócoras na história da humanidade. Mostrei que dois paradigmas norteiam os atendimentos - o paradigma americano - tecnológico, mecanicista, centrado no médico, o uso de muitas intervenções e procedimentos iatrogênicos, que gera mais cesarianas - e o paradigma europeu - centrado na mãe e na criança, atendimento por enfermeira obstetra e muldisciplinar, sem procedimentos invasivos, trabalha por evidências científicas etc.
Situei o panorama da Epidemia de Cesáreas e de prematuridade que assola o país.
Se na década de 80, parir de cócoras, sem episiotomia e outros procedimentos era coisa de "alternativos" da turma do "podecrê", hoje somos embasados e apoiados pela Organização Mundial de Saúde, Ministério da Saúde, Secretaria Municipal de Saúde etc. É questão de saúde pública e financeira.

Citando Michel Odent, levei todos a pensar no parto enquanto um evento ecológico, diz respeito à ecologia do ser humano. Informei que Odent está estudando a ocitocina e teme que no futuro possamos perder a capacidade de produzi-la naturalmente, devido ao excesso de ocitocina sintétita utilizada pela fria medicina. Quando ele fala de agricultura e relaciona com a medicina, conta que o excesso de agrotóxicos pode comprometer a vida, já que o número de espermas está diminuindo.

A ocitocina é um hormônio tímido e o parto pede privacidade, respeito. Favorecer o contato pós parto mãe/filho, para que o olho no olho se faça com a mãe e não com a pediatra de plantão. Respeito ao momento do parto.

Depois falei da ong, mostrei fotos das Rodas Bem Nascer e Chás de Bençãos.
Fui aplaudida.
Dei ali todo um conhecimento, um pensamento construído dia a dia em minhas ações ao longo dos últimos 25 anos de militância. E vi que há demanda para este conhecimento, há um terreno macio e propício a receber a semente da humanização e que devemos mesmo plantar...plantar no coração dos universitários.

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