sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

ONG BEM NASCER FAZ BONITO EM BRASÍLIA

Foto : Isabel


A ong Bem Nascer realizou em Brasília um Chá de Bençãos para três gestantes. Momento abençoado. As doulas Daphne Paiva e Isabel Cristina participaram da Roda e de uma mesa redonda, representando a ong no Congresso e voltaram cheias de energia. Elas mandaram mensagens para a nossa Lista Bem Nascer. Retirei alguns trechos.

"Depois de passar 5 dias inteiros ouvindo, debatendo e trocando experiências sobre gestação, parto e aleitamento finalmente sentei para contar para vocês um pouquinho do que vivi no planalto central.Ver pessoas do mundo inteiro unidas em torno de uma mesma causa é de deixar a gente leve, com a certeza de que esse é o caminho. Um lugar onde se viam muitas mulheres falando de partos, onde muitas carregavam seus bebês em slings e amamentavam a todo momento, onde o estranho mesmo era cirurgia agendada e mamadeira!


Parteiras tradicionais vindas de vários cantos do Brasil falaram de suas vivências e o amor que transmitem é de emocionar! Uma senhora contou que ao chegar para atender uma moça se espantou com o tamanho da barriga. A moça (que já tinha 7 filhos) falou que eram dois bebês. OK, nasceram os dois e a parteira esperando a placenta... demorou um pouco e veio uma mãozinha. Era o terceiro bb. Depois mais uma contração forte e nada da placenta. Mais contração e um pezinho: saiu o quarto bebê! A moça reclamava que estava doendo mais, e finalmente veio a placenta! Enorme, e tinha os quatro cordõezinhos ligados a ela!!! Esse tipo de coisa faz a gente suspirar! Vcs precisavam ver o amor dessas mulheres relatando as agruras de suas vidas.

Também foi excelente ver que a ONG Bem Nascer tem uma visibilidade incrível, é tomada modelo para outros lugares, fomos inundadas de pergntas durante a conferência. Um professor da UNB, que foi quem mediou nosso painel de experiências bem sucedidas, ficou muito interessado no trabalho da ONG enquanto multiplicadora de experiências e disse que quer muito conhecer de perto.

Eu sei que muitas outras pessoas queriam estar lá, mas o importante mesmo é entendermos que a causa da humanização está ganhando forças, que é possivel ter voz ativa nesse mundo louco. Em algumas mesas o papo era mais científico baseado em evidências, em outros espaços o que sobressaía eram terapias complementares e holísticas. Foi ótimo ver que em outros lugares tb existe esse embate entre o cartesiano e o invisível.

Continuamos a ser poucos que vivemos fora dessa matrix tecnológica que prioriza ter ao invés de ser, mas somos cada vez mais. Cada um a seu modo, fazendo diferença nesse mundo. Pessoas que pensam diferente conseguem olhar para o mesmo horizonte, acreditem! Diferença não significa intolerância.

Estive na partolândia pela segunda vez, e outra vez saí dela transformada.

Beijos no coração de cada um que acredita ser possível mudar o mundo.

Daphne Paiva Bergo - (31)9258-2195

Psicóloga, doula, mãe do Artur e da Laura


"Meninas, envio algumas fotos do evento em BR, do Flash e fim da Conferencia. Foi ofertado a três gravidas, na Praça das Águas, um Chá de Bençãos.; foi muito bem aceito e acolhido. Foi intenso, lindo e muito marcante. Que esses três abençoados bebês, possam vir cheios de muita luz, pois estiveram presentes em um encontro tao engrandecido e cheio de MUITAS mulheres EMPODERADAS. Fiquei imensamente encantada com o trabalho das parteiras, muita luta, mas muito amor e dedicação. O que mais me marcou é que BH, com todas suas dificuldades, tem sido pioneiro e está muito a frente de vários, diversos estados/países. É, precisamos de muitas melhorias, mas estamos bem mais evoluídas, que muitos lugares, infelizmente. Enfim, assim como eu, haveremos de ter muitas fotos para compartilhar, muitas experiencias, ufa... tenho muito mais, aos poucos vou compartilhando. O céu nos abraçou com um lindo dia. Intenso azul, nuvens dançando, ao fundo as águas... Abraços a todas, que esse movimento possa representar o fortalecimento para que verdadeiramente saia do papel e, possa vigorar o RESPEITO a mulher, a vida.

Isabel - Doula muito orgulhosa de poder tido a honra de lá estar pessoalmente, pois sei que muitas foram de coração.

E MICHEL ODENT. ESTEVE LÁ?

Colo aqui comentários da mãe Paloma, que esteve na conferência e fez uma síntese da palestra do Michel Odent em vídeo conferência no encerramento. Ela esteve com a filhota no sling durante o evento, e foi lindo de ver tantas mães carregando seus filhotes, amamentando e se informando. (os comentários são da Daphne)

Retirado de http://fotocecilia.blogspot.com/

A Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nscimento, promovida pela Rehuna (Rede de Humanização do Parto e Nascimento) acabou ontem e já estou com saudades. Eu fui só para as mesas-redondas e palestras do turno da tarde (e a abertura à noite) para não cansar muito a Clarice nem a sua carregadora - eu mesma.

O encerramento foi uma palestra magnífica com o obstetra francês Michel Odent, diretamente da Inglaterra, onde vive, por teleconferência. Odent (bastante citado no livro "Parto Ativo", de Janet Balaskas) é pioneiro na divulgação do parto humanizado e do parto na água, na década de 70. Autor de vários livros sobre o assunto, lançou recentemente o livro "The Cesarean".

Michel Odent, considerado um dos papas da humanização, discorreu palavras muito simples e sábias sobre o parto nos dias de hoje. E o que achei interessante é que ele não ficou nesta dialética barata de cesárea X parto normal, demonizando a cesárea ou desmerecendo as pessoas que passam por ela. Ao contrário, ele disse que o movimento pela humanização do parto deveria parar de atacar quem faz uma cesárea eletiva e procurar as causas disso.

Segundo ele, médicos e mulheres têm optado pela cesárea principalmente por desconhecimento da fisiologia do corpo e por falta de paciência para deixar que as coisas aconteçam. E, quando não fazem uma cesárea de cara, fazem um parto normal cheio de intervenções (na grande maioria das vezes desncessárias) com o único objetivo de apressar o processo, porque acham que "algo deve ser feito", não conseguem simplesmente parar e aguardar.

Um parto assim é uma violação ao corpo da mulher, à sua fisiologia. Os partos ditos normais há algum tempo são feitos com as mulheres deitadas ou em posições semi-deitadas, imóveis (não podem se mexer porque estão com soro preso no braço), com ocitocina sintética (uma violência), anestesia e episiotomia. O uso de fórceps ou ventosas também é altíssimo, principalmente em primíparas (mulheres que vão parir pela primeira vez). Ou seja, um parto que de normal e fisiológico não tem nada.

Ele disse o que eu sempre achei - e até já escrevi aqui no blog mais de uma vez - só que de uma forma mais elaborada, afinal trabalha com isso há 50 anos. Odent disse que a sociedade atual precisa redescobrir as necessidades básicas da mulher (na hora de parir).

Atualmente, segundo ele, a taxa de mulheres que conseguem parir somente com os chamados hormônios do amor (ou seja, sem ocitocina sintética e nenhuma outra intervenção) está próxima de zero no mundo inteiro, porque, uma vez em que se está num ambiente hospitalar, os médicos e enfermeiros não conseguem não intervir de alguma forma, não sabem apenas amparar a mulher e esperar o tempo que for necessário para que o seu corpo trabalhe.

Ele acha que baixar os níveis de cesárea do jeito que os partos estão acontecendo hoje em dia, só vai causar mais traumas de parto nas mulheres que forem submetidas a isso. Segundo ele, deve-se, sim, ir pelo caminho natural fisiológico, do parto sem intervenções médicas desncessárias, para que aí sim as mulheres redescubram o seu corpo e percebam que ele foi feito para parir.

Odent chamou a atenção também para o silêncio. Disse ser importante para a mulher estar num ambiente calmo e silencioso na hora P (coisa pouco comum em hospitais, onde tem um entra e sai de gente). Que muita movimentação externa gera adrenalina, hormônio que se contrapõe diretamente à ocitocina.

Para ele, o objetivo (de humanização do parto) deve ser colocado de forma positiva. Não é atacando a cesárea eletiva e as cesareadas que estaremos defendendo a causa. Mas lutando para que se respeitem as mulheres e o tempo delas."


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